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.cuecas ninja.

Há muito tempo, quando tinha uns seis anos, eu escondi um Comando em Ação na cueca. Foi, obviamente, uma situação de roubo, e a história é mais ou menos assim.

Meu pai disse que não ia me dar o Ninja Negro de maneira nenhuma e eu não aceitei isso muito bem. No dia em que na aula, no primário, um moleque me apareceu com o Ninja Negro, exibindo o bonequinho pra todo mundo e tal, aquilo não bateu nem um pouco bem. Mas o erro dele foi não só mostrar o bonequinho demais, mas principalmente ter insistindo em continuar mostrando a merda do Ninja durante toda a aula. E daí, é claro, a professora tomou o boneco. Certo? Certo.

Ela disse que o boneco ia ficar em cima da mesa dela, quietinho lá no canto e que ela só iria devolver o boneco no final da aula se todo mundo ficasse quietinho... e aí eu meio que decidi que era a hora de agir e me vingar de algumas certas injustiças do mundo.

Fiz o meu desenho, com todo cuidado e atenção, não esquecendo de desenhar o Sol sorridente no canto superior direito, e fui lá mostrar para a professora. Ela disse que ficou ótimo, excelente mesmo... e me deu cinco estrelinhas e eu voltei pra minha carteira com o Ninja Negro escondido embaixo da camisa. Foi uma afanada bem das boas, ninguém percebeu nada e tenho certeza de que todo o clã do Sinatra ficou se mordendo de inveja.

Primeiramente o bonequinho havia sido escondido na mochila. Mas no final da aula, quando a professora percebeu que tinham desaparecido com ele, a ordem foi para que todo mundo olhasse nas mochilas, para ver se o boneco não havia caído lá por acidente. Nesse momento, meu primeiro pensamento foi pensar que ela iria, em seguida, mandar o colega do lado averiguar a mochila de seu respectivo companheiro, para ter certeza de que o tal acidente não havia acontecido mesmo. Aí eu passei o boneco para embaixo da carteira, certo? Errado. O que ela disse em seguida foi para olharmos se o boneco não estava embaixo de nossas carteiras, se ele não havia escapulido até lá por meio de algum acidente misterioso.

Nesse contexto, e ainda temendo que a professora utilizasse o truque do amiguinho ao lado, o que me sobrou foi a cueca. E dá-lhe o Ninja Negro sendo alojado na companhia do meu peruzinho.

No final das contas, foi um roubo perfeito. Como havia previsto, a professora mandou que os colegas dessem uma olhada no material do colega ao lado, só para ter certeza de que ninguém estivesse vista grossa para um certo acidente (entretanto, como havia imaginado, ela não chegou ao ponto de pedir para checarmos os genitais alheios). A gente repetiu o procedimento por umas cinco vezes e a professora disse que ninguém iria sair até que o boneco aparecesse e cinco minutos depois todos estávamos indo pra casa - exceto, é claro, o ex-dono do Ninja Negro, que ficou chorando na sala.

...e, dois dias depois, eu perdi o bonequinho.

Já na adolescência, teve a vez em que, nas Lojas Americanas, enfiei dois CD na cueca. Só pra constar, era um do Garbage e o outro a trilha do Pulp Fiction.

Era naquela época em que os alarmes não eram muitos bons e tudo o que você tinha de fazer era abrir a capinha e arrancar um selinho e esconder o CD na cueca. Mas, dessa vez, quando estava saindo da loja, o segurança me pegou pelo braço e disse que queria dar uma olhada nas minhas cuecas. Eu respondi que não estava interessado nesse negócio de bichas carentes fazendo ponto em Shopping Center. E ele me arrastou pra uma sala lá dentro e me tomou os dois discos.

A sala pra qual fui levado era tipo como um escritório. Não tinha ninguém vigiando e a porta, que o cara esqueceu aberta, dava direto para o depósito da loja. O segurança disse que não ia ficar dando sermão em marmanjo e era para que eu simplesmente desse o número lá de casa para ele chamar meus pais. Inventei um número e, quando ele estava discando o quarto dígito, eu levantei e saí correndo.

Nem sei se o cara tentou correr atrás de mim. Mas o que me lembro muito bem foi de ter me sentido como um verdadeiro gênio por ter escapulido com essa solução tão fudidamente simples e eficiente.

E a grande verdade é que eu sempre me senti muito genial por essas duas - e algumas outras - histórias. Isso, é claro, até esse último final de semana. Pois, convenhamos, existe algo de supremo em esconder cem mil dólares na cueca - ...até porque, da maneira como vejo, esse seria mais-ou-menos como o gancho perfeito para a mais infame das cantadas.

Mas para além da humilhação de ter sido tão visivelmente superado, devo dizer que estou achando o máximo toda essa história de cuecas e malas de dinheiro. Tipo, é quase como se o plano de ir até o aeroporto roubar malas a esmo esperando encontram um bilhão de dólares na terceira tentativa tivesse se tornado algo plenamente plausível. E também porque é super engraçado prestar atenção na vírgula que, inevitavelmente, antecede o "escondidos na cueca" nos telejornais.
::. by Marcel is a Fag. . 13.7.05 . 06:15 .::