.adorável mundo novo.
1. A NHL está em greve.
2. A minha vizinha gostosona se mudou.
3. Não tenho grana pra comprar Terroristas do Milênio do Ballard nem os DVD do Fuller.
4. As prostitutas de BH estão se reunindo para discutir o aumento no preço dos programas.
5. ...e continuo sem videogame.
É mais ou menos assim. Minha faculdade acabou. E eu não tenho emprego nem muito menos alguma perspectiva para o futuro mas, mesmo assim, todos esses assuntos aí de cima -- e alguns outros -- continuam me preocupam mais.
Sabe como é, as pessoas sempre vêm me cumprimentar e parabenizar e tal, falando do suposto grande passo que acabei de dar e sobre todas essas oportunidades do futuro. E eu não tenho absolutamente nada para dizer a elas -- e, de fato, não consigo imaginar
nada-de-nada que possa vir a ser dito sobre o assunto.
E nem é por falta de empenho. Realmente tenho tentado pensar bastante no caso. Não por iniciativa própria nem nada, claro... mas me falaram sobre isso com tanta convicção e empenho que resolvi que seria o mínimo dar uma chance a questão.
No entanto, como já era de se esperar, a única conclusão que saiu foi a de que não tenho mais de acordar cedo -- e nem perder seis horas semanais na faculdade e nem me encontrar com meus coleguinhas e nem perder dez minutos andando até o Metrô só pra encontrar a plaquinha de "Greve" presa na porta fechada. E isso é pura e simplesmente lindo.
Mas minha mãe tem uma outra opinião. Ela diz que tenho de começar a me preocupar com o futuro, investir nas coisas certas e cultivar os contatos que farão de mim um bilionário. E por que? Porque na semana que vem pode acontecer de toda a minha família ficar desempregada ou morrer de câncer e eu -- eu mesmo -- me ver transformado na minha única esperança. Ou alguma coisa assim.
Como se pode ver, otimismo é uma qualidade que apenas eu cultivo dentro da família.
No entanto, o que certas pessoas andam desconsiderando é que eu tenho um plano. Tenho sim -- inclusive, diga-se de passagem, eu sempre tenho um plano.
A princípio, meu plano era tirar todos os próximos doze meses de férias e empurrar as demais coisas para o final de 2006. Mas, depois de muito pensar, resolvi desistir desse plano. De uma maneira muito básica ele foi inviabilizado por motivos morais e éticos -- até porquê, verdade seja dita, já estou em férias há pelo menos uns seis anos. E daí que mudei de plano, claro. Meu plano agora é passar os próximos doze meses em férias
relativas.
Basicamente, minhas pretensões se resumem a arranjar um emprego inacreditavelmente estúpido e passar todo o meu período de labuta diária pensando bobagens -- e todo o restante jogando videogame, vendo bobagens na TV e batendo punheta com as capas da Hustler em mente.
Mas -- e esse aqui é nosso verdadeiro ponto -- o quê viria a ser um
emprego inacreditavelmente estúpido?
Tipo assim... eu sempre tive esse sonho de ser zelador de necrotério. Tipo, passar todas as madrugadas cercado de mortos, lendo pornografia e dando em cima das enfermeiras que, de hora em hora, descem até o meu necrotério pra trazer as novas entregas -- e, melhor de tudo, só precisando abrir uma gaveta a cada vez que quiser ver gente pelada.
Entretanto, não acredito que esse seja um emprego estúpido o suficiente. Seria, com certeza,
muy bacana realizar esse sonho -- e com toda a certeza do mundo não seria eu a pessoa a dizer
não se a oportunidade surgisse. Mas também não acho que trabalhar em um necrotério seja estúpido o suficiente para as pessoas simplesmente não conseguirem acreditar.
Da maneira como vejo, um emprego realmente
dos sonhos seria, tipo assim, trabalhar como zelador de zoológico. Passar todos os dias vigiando as crianças para garantir que elas não sejam almoçadas pelos leões ou jibóias.
Ou, melhor ainda, trabalhar de zelador
noturno no zoológico. Que sonho rapaz... De uma maneira nem um pouco resumida, minha única função seria impedir que os vândalos virgens da cidade não façam uma incursão noturna até o meu zoológico na intenção de sodomizar as raposas e girafas -- ou, num quadro mais plausível, resistir à tentação de eu mesmo ir lá enfiar o pau nas pobres coitadas.
Ou, desenvolvendo um campo completamente diferente, conseguir a vaga de responsável pela manutenção de todos os hidrantes da cidade.
Porque, tenho dito, isso sim é que seria uma carreira pra toda a vida.