.poa.
Sabe, eu poderia falar sobre todas as pequenas diferenças que dão
sustância à
coisa toda. Tipo, por exemplo, o fato do sistema de gerenciamento dos supermercados daqui ainda não estar plenamente evoluído (e ainda se utilizar aquelas etiquetinhas brancas de preço e patinadores de utilitários). Ou a observação de que os catadores de papel daqui são mais espertos e utilizam carroças ao invés de se obrigarem a carregares enooormes carrinhos cheios de lixo nas costas. E todas essas coisas assim...
E, também, é claro, o excesso de garotinhas loiras com carinha de menina boba.
...e o preço de certas coisas, que parece ser um tantinho quanto maior.
Mas, tirando essas duas últimas - que, convenhamos, contam de verdade -, é tudo um
conjuntinho de cocô que eu poderia continuar listando por um bom tempo. A verdade é que, no final das contas, é tudo farinha do mesmo saco. Belo Horizonte, Porto Alegre, o caralho-a-quatro... dá tudo mais ou menos na mesma.
O que realmente contas são os
outros detalhes. Tipo, por exemplo, a constatação de que agora eu não tenho mais nem pai e nem mãe; sou como um feliz indigente (me sentindo como uma garotinha enterrada em um absorvente
super-moderno -
livre, leve e solto). Ou, também, o fato de, em termos urbanos, só conhecer um raio de 500m em torno do apartamento. Qualquer esquina que dobre errado ou avenida que confunda e
bum!, estou perdido & apavorado, como uma garotinha de cinco anos - e, aqui entre nós, isso é indescritivelmente le-gal.
Entretanto, o melhor de tudo ainda é o fato de não conhecer praticamente ninguém aqui em Porto Alegre. Meu círculo de amizades se resume a um grupo unitário e extremamente restrito que engloba praticamente todos os meus interesses. É mais ou menos como se estivesse preso em uma ilha deserta lotada de pessoinhas irrelevantes - um maravilhoso paradigma do caralho.
Por outro lado, é claro, existem aquelas pessoas que adoram estar no lugar onde
todos sabem o meu nome. Mas não é o caso aqui. De maneira alguma. E também nem é como se
todo mundo em BH soubesse o meu nome. Eram só alguns gatos pingados e algumas prostitutas, tudo parte de um grupo que, apesar de seleto, cresceu até o status de
um tanto quanto incômodo.
Daí que -
resolução de ano novo - o melhor é zerar tudo. Começar do vazio. Fazer as malas e mudar de ares e
tudo mais. Sem muitas delongas e nem muito menos explicações. Okey?
...e é sempre bom assim. Chegar em Porto Alegre, completamente incógnito; como um maldito fantasminha do caralho... ou uma bola de amor luminosa, que paira sobre a cabeça das pessoas com preguiça demais para colocar amor em seus corações gelados. Poético pra caralho.
Certo?