.cuecas.
Isso pode ser até meio óbvio para alguns, mas não é que se mudar - e todo esse negócio de sair de casa - tem lá mesmo os seus inconvenientes... e, aqui entre nós, que
merdas-da-porra de inconvenientes.
Por exemplo. Não sei se minha opinião conta muito nesse assunto, mas
com toda a sinceramente do mundo que não acho que os
seres-humanos foram feitos e desenhados para lavarem suas próprias cuecas. Todos esses milhares e milhões de anos de evolução simplesmente não podem apontar para a medíocre e primitiva tarefa de lavar a sua própria roupa íntima.
E nem estou falando de lavar no tanque, com todo o aparato
e-o-caralho. É lavar na banheira, ajoelhado no chão e usando uma das cuecas pra tampar o ralo e não deixar a água escorrer (saca?, lavar as cuecas no exato mesmo lugar onde você bate punheta não é a mais prazerosa ou sutil das coincidências).
Mas também nem é como se fosse
só isso.
Você se muda, se livra de toda a opressão e passa a acreditar que é uma pessoa livre e feliz e tudo mais... até o dia em que tem de plastificar com
papel filme as futuras prateleiras alaranjadas da cozinhas, furar azulejos impenetráveis, reformar frigobares que nunca ficam
bom o suficiente para o uso e se preocupar em não molhar com todo o chão do banheiro e etc e etc e etc...
Além, é claro, de ter que lidar com
companheiras de apartamento bichinhas que não te deixam comprar um espelho de plástico em forma de dinossauro cor-de-rosa para o banheiro.
...e aí você percebe que essa é a sua vida sem a sua mãe.
Mas, voltando ao papo das cuecas, nem é como se fosse a coisa mais complicada e difícil e intelectual do mundo. É, sim, muito trabalhoso, chato e um tanto quanto humilhante - e, o pior de tudo, é ter a consciência de que você não é lá a pessoa mais esperta nesse quesito e saber, com toda a certeza do mundo, que as cuecas estavam muito mais limpas quando entraram na banheira do que quando você, sorridentemente, as tirou de lá.
De resto é só abdicar ao uso das cuequinhas e correr pro abraço.