.fliper do chinês.
Pois então. Se por um lado eu sempre fui esse grande defensor do ócio e da vagabundagem e de tudo mais no gênero, por outro devo admitir que essa coisa de ficar desempregado em uma
cidade-estranha é, por assim dizer,
a priori, uma coisa
toda do esquisito.
Além da opressora atmosfera de contas batendo na porta e insegurança & dúvidas em relação ao
governo-estadual-eleito-por-outros, conta bastante também o lance de não se conhecer muito bem a geografia do local. Onde fica cada
o quê e por
aonde chegar a determinado
o quê. Sabe como é... já ter os locais delimitados e masculinamente demarcados.
Tipo, como meu pai resumiria: ?saber o nome das putas da sua cidade?.
Daí, então, o que salva são as boas e velhas
certezas-da-vida. E, vou te contar, só existem duas instituições no mundo nas quais um homem se sente
sempre em casa: boteco de mulher pelada e fliperama.
E como eu sempre fui muito mirradinho pra freqüentar bar de mulher pelada - pra dedar o cú das putas e dar porrada nos motoqueiros e
tudo mais -, o que me sobra são os fliperamas.
E, verdade seja dita,
o fliperama de Porto Alegre é muuuuito melhor que todos os de BH juntos.
Porque Belo Horizonte tinha essa vantagem de só ter sobrado fliperama na
putolândia da cidade. Com
arcades dividindo espaço com cabines-de-sacanagem e putas descendo as escada para desafiar jogadores desavisados numa partida de Daytona USA. - Muuito legal, ninguém nega. Mas, fato é, em termos de jogos eletrônicos e diversão adolescente, esses fliperamas de puteiro eram bela duma bosta. Só jogos velhos e controles estragados e telas manchadas de
todo-ô-tipo de substância gordurosa e/ou orgânica.
No fliperama de Porto Alegre não tem putas desfilando seus cancros sifilíticos ao lado da máquina de Street Fighter. Nem um par de negões se apulando com peixeiras sujas de AIDS na porta do recinto. E nem nada que chegue perto dessas coisas super-legais que as
zonas-baixas das capitais tão fartamente oferecem.
Mas, no entanto, o Fliper do Chinês é um fliperama de ver-da-de. Com máquinas legais e desafiantes de nível. Pessoinhas fumando ao lados das máquinas e pessoinhas passando um dia inteiro sem almoço para jogar KOF 2002 e pessoinhas vendendo drogas e se desentendendo. Nada de muito demais, apenas um ambiente saudável para os jovens crescerem e desenvolverem um caráter competitivo e vencedor.
Exatamente do jeitinho que o Tio Sam gostaria que fosse.
O problema - e, claro, sempre existe um problema - é que ando com a sincera suspeita de ter passado tempo demais jogando contra prostitutas. Porque ? sacumé... - é muito fácil ganhar de alguém que precisa coçar as partes íntimas a cada vinte segundos. É quase como desafiar um débil-mental com singelos lampejos de claridade mental para um partida de xadrez.
Enfim, não é e nem nunca foi parâmetro para nada.
E o resultado disso tudo? Eu sou a mais nova piada de POA. Tipo, se fizessem uma escala com todas as pessoas que se dispõem a gastar suas ricas moedinhas nos fliperamas do Sul, meu nome apareceria como um apêndice esquecido bem no fim da lista - como alguma coisa que alguém colou lá com chicletes por ter se lembrado apenas no dia seguinte.
Existem moleques da altura do meu joelho me dando porrada virtual naquele fliperama. As pessoas já chegaram num ponto de esperarem avidamente pela minha vez como uma oportunidade de treinarem novas - e absurdas - táticas.
E, sinceramente, eu nem sei o que dizer sobre isso.