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.ainda sobre cuecas.

Bem. Então. É como sempre digo; claro que podemos sentar e falar sobre o sentido da vida e tudo mais. Porque, é claro, como todos sabemos, essa é a pergunta que responde todas as demais. O acento sobre sua devida letra. Cada passarinho pousando em sua devida flor.

E, claro, não sou eu o tipo de subversivo que vai desmerecer essas coisas.

Porque, se vamos falar sobre isso, é importante entender que estamos lidando com um infinito. Não há como medir o tamanho de algo como a vida e seu sentido e suas razões e suas variações e seus significados. Daí, que, é o infinito. Mas é também só um, uno, uma única unidade. Porque, já devem ter ouvido falar, todas as coisas são apenas uma; tudo ligado, tudo envolvido em único corpo... apesar de continuar infinito, óbvio.

Mais ou menos como um imenso lençol. Um lençol - que é um só - tem todas as suas partes ligadas entre si e qualquer ação em qualquer região do lençol afeta, em maior ou menor nível, todo o lençol. Tipo, por exemplo, se puserem fogo na ponta direita do lençol: pode até demorar, mas, cedo ou tarde, todo o lençol estará em chamas.

Sacou?

E é por essas e outra que não dá - ou pelo menos não é certo - continuar ignorando a porra do problema do petróleo. Ou ascensão do neo-nazismo. Ou a destruição da Amazônia. Ou os cariocas.

O quê acontece lá não só surte efeito aqui, como também foi desencadeado pelas coisas que fizemos aqui. Questão de responsabilidade, caro amigo. Nem todo mundo é um filho da puta que consegue embalar a vida enquanto ignorar toda a d-o-r dos irmãos africanos.

Então, com isso em mente, por essas e outras, é que devemos votar no sim. Para plantar a primeira sementinha no sonho de um mundo menos violento. E servir de exemplo para o fim de to-dos os conflitos mundiais.

Ou, então, votar no não, hum... como uma maneira de sustentar a posição de que armas são importantes e que é apenas através delas que a paz pode existir. E, claro, dar o nosso apoio moral para todos os movimentos revolucionários que se espalham pelo mundo.

Ou, então, sei lá...

Pra dizer a verdade, todo esse papo de infinito me deixa um pouco confuso. O quê eu realmente sei, o quê posso te dizer, é que não dá pra querer viver toda a sua vida sem usar cuecas.

É super-demais poder ficar com o pau livre, batendo nos joelhos enquanto caminha na rua e erguendo a barraca na sala-de-estar. Mas, depois de dois meses sem cuecas, você percebe que existe uma certa ligação se estabelecendo. Que existe um motivo para você estar acordando às duas da tarde. Para estar comendo pão mofado. Para estar se masturbando ao invés de procurar emprego. Para nunca acertar os números da Sena. É, no final das contas, tudo culpa da falta de cuecas. Porque, sacumé, as coisas estão relacionadas. Elas interagem entre si. O que uma faz afeta todas as outras. E, até onde entenda, esse é o meu infinito.

Até porquê, quando passa por um mendigo desmaiado no meio da rua, fedendo a mijo e cachaça barata, você sabe - mesmo que preferisse não saber - que ele também não está usando cuecas.
::. by Marcel is a Fag. . 22.10.05 . 01:55 .::